segunda-feira, 27 de abril de 2009

5 Perguntas para José Salles

Historiador por formação e fanzineiro por vocação, José Salles é editor da Júpiter II (antiga SM), editora independente orientada 100% para a produção nacional de quadrinhos e que acaba de atingir a marca de 50 títulos publicados.

Profundo conhecedor de HQs – notadamente dos clássicos - e colecionador de verdadeiras raridades, Salles responde esta semana as 5 Perguntas do Papo de Quadrinho:

1) Quais são as maiores dificuldades em se manter uma editora independente e que publica exclusivamente autores nacionais?
Se comparado a outras atividades profissionais, como pedreiros, motoristas de caminhão, taxistas em grandes cidades, coletores de lixo, limpadores de janelas em edifícios e empregadas domésticas, diante disso o serviço de editor é moleza. Mas claro que desenhar as HQs é muito mais difícil.

2) Nesse tempo de existência, cite algumas revistas que se destacaram por sua importância para a produção nacional ou pelo sucesso de vendas?
Sucesso de vendas, nenhuma. Quem pensa que estou ganhando "um dinheirão" publicando gibis, se engana, pois só venho gastando. E quem me procura pensando em salário, também vai se decepcionar. Vocês têm que entender que o selo Júpiter II nada mais é do que uma ação entre amigos apaixonados por HQs, e quase todos esses amigos vindos dos tempos de fanzine (a propósito, eu ainda edito o fanzine Personagens dos Gibis). A diferença é que agora damos um acabamento gráfico mais bonitinho e, com o aumento da tiragem, extrapolamos o público fanzineiro. Quanto à importância, sem dúvida dois os mais relevantes títulos do selo são o do Raio Negro (Gedeone Malagola) e O Gáucho (Julio Shimamoto) - ambos os autores que também conheci por meio dos fanzines.

3) Qual seu autor ou artista americano preferido?
Puxa, difícil escolher um só. Como sou apaixonado pela Golden Age dos Quadrinhos Americanos, quais sejam, aqueles produzidos para tiras de jornal entre os anos 30 e 40, vou escolher aquele que melhor representa aquela magnífica geração: Alex Raymond.

4) Você é também um grande colecionador de quadrinhos. Qual o tamanho do seu acervo, o tipo predominante e as raridades?
De fato, coleciono gibis há anos e graças às buscas em sebos e intercâmbio com outros colecionadores, possuo bom acervo cheio de raridades. Majoritariamente em minha coleção, gibis com personagens americanos e brasileiros dos anos 50 a 70 de vários estilos (muitos desses gibis publicando personagens criados antes deste período). Por um tempo colecionei também muito do underground comics, mas hoje me desinteressei totalmente por esse estilo. E, como precisava de espaço nas estantes, estes foram os primeiros a ser doados para uma gibiteca. Dos anos 80 pra cá, acompanho os personagens brasileiros dos quadrinhos e também os títulos lançados pela Bonelli Editore.

5) Quais os lançamentos da Júpiter II para 2009 que você pode adiantar para os leitores do Papo de Quadrinho?
De novidade, no gibi do Raio Negro, roteiros inéditos escritos pelo próprio Gedeone Malagola, poucos meses antes de partir para a Pátria Espiritual, ilustrados por novos talentos da HQ brasileira. De resto, continuaremos com os títulos que temos publicado: Tormenta, Corcel Negro, O Bom & Velho Faroeste, Boca do Inferno.com, Vulto, entre outros.

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